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Fiz esta foto na tarde do dia 7 de outubro, em Wuxi, cidade da província de Jiangsu onde cheguei a morar durante seis meses neste conturbado Ano do Dragão.
Não me recordo o que pensava ou sentia naquele momento. Talvez tenha saído para um passeio ou ido ao supermercado. No caminho vislumbrei essa brecha que por um átimo infinito de segundo nos transporta para uma outra dimensão e nos abre os olhos para aquilo que o cotidiano oculta em suas miríades faces cegas – sim, somos os olhos do dia.
É o momento em que eternizamos o efêmero, qual colher uma folha seca de outono do chão, guardá-la no meio de um livro e esquecê-la até que alguém a venha resgatar anos mais tarde. É como criar esculturas com os grãos de areia que escorrem pela ampulheta de nossas existências. É uma sensação que não cabe no verbo ser.
Na ocasião, a fotografia mental que consegui captar para que combinasse com o que tinha visto são as palavras abaixo:
画画云彩的感情,天气等待哭叶子🍃 (desenho nuvens de sentimento, o tempo aguarda o pranto de folhas).
Recentemente, publiquei essa foto no Instagram com uma roupagem semelhante em português:
Desenho nuvens de sentimentos enquanto o tempo se prepara para desfolhar lágrimas.

Admirador da cultura chinesa, tenho me esforçado para desmistificar e diminuir as distâncias entre esses dois países promissores perante o atual cenário econômico mundial: Brasil e China. Estudo mandarim desde 1997. Autodidata, acredito que não existam atalhos para o conhecimento. Não obstante, o exercício da aprendizagem, em si, e a perseverança encurtam caminhos, aumentam a concentração e tornam o percurso como o de um passeio matinal ensolarado. Além de atuar como tradutor-intérprete, sou consultor e intermedio negócios na área de importação-exportação.

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