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2012: Meta II

Nunca tive paciência para ficar regateando preços. Por conta disso, levei muito prejuízo no primeiro ano que cheguei à China. Não gostava de perder tempo comparando valores pelas lojas, principalmente porque lidar com números sempre foi uma tarefa enfadonha para mim. Não porque tivesse inaptidão para calcular, o problema residia em não conseguir memorizar os preços e ter raciocínio rápido para equacionar as lojas todas que visitara, os produtos que vira e as vantagens que os vendedores me ofereciam. Com o tempo, entendi como funciona o teatro das negociações, aqui, embora não saiba interpretar com maestria ainda, já consigo contracenar com os vendedores sem sair no prejuízo.

Aprendi a expressão 货比三家不吃亏[huò bǐ sānjiā bù chīkuī] (quem compara preços, não leva prejuízo) com uma querida amiga taiwanesa, nos primórdios de meu envolvimento com o idioma e a cultura chinesa, nas minhas saudosas caminhadas pelas ruas de São Paulo, no final da década de 90. Diferentemente dos brasileiros, os chineses têm o costume de efetuar compras à vista, posto que priorizam  o desconto oferecido quando se paga em espécie. Em contrapartida, num país com a inflação em constante ascensão como o nosso, no passado, comprar a prazo ou à vista,   acabava sendo de igual proporção para o consumidor comum conseguir comprar determinado produto. Os anos que levaria economizando para poder pagar, com dinheiro vivo, e arrematar seja lá o que fosse o objeto de seus desejos, não compensaria porque os preços sofreriam reajustes percentuais equivalentes aos juros pagos na compra à prestação.
A diferença básica, no entanto, entre essas duas atitudes consumistas reside na rentável aprendizagem que se tira quando se aprende a economizar: planejamento, determinação e satisfação por  alcançar-se um objetivo. 货比三家不吃亏[huò bǐ sānjiā bù chīkuī], “comparar a mercadoria em três estabelecimentos a fim de não sofrer perdas” será o mote para 2012, um ano de árduas batalhas para conter o rato perdulário que habita em mim.

Ano de reflexão para o rato

Admirador da cultura chinesa, tenho me esforçado para desmistificar e diminuir as distâncias entre esses dois países promissores perante o atual cenário econômico mundial: Brasil e China. Estudo mandarim desde 1997. Autodidata, acredito que não existam atalhos para o conhecimento. Não obstante, o exercício da aprendizagem, em si, e a perseverança encurtam caminhos, aumentam a concentração e tornam o percurso como o de um passeio matinal ensolarado. Além de atuar como tradutor-intérprete, sou consultor e intermedio negócios na área de importação-exportação.

2 comentários em “2012: Meta II

  1. Muito bom, quero só ver se vai fazer a pesquisa para tudo. hehehe E eu me cansei de pechinchar também. quase 8 anos fazendo isso é de arrasar. Não suporto comprar em locais que os preços não estão fixados. Os olhos dos chineses até arredondam: oba laowai na área….rs
    Agora sabe o que nós amamos aqui na China? Não temos divida! O Mário acha essa uma das principais vantagens daqui: compra se tem dinheiro, ou se paga adiantado pelas coisas, pq nunca tive tanto cartão de fidelidade na carteira. Nossa unica espectativa todo mês é o valor da conta de luz…rs. Olha que maravilha! 🙂

  2. Chris,
    muitas vezes sou extremamente indelicado e frio com os vendedores. Sei que eles estão ali para isso e não sabem quem já conhece o sistema de vendas dos mercados fakes. Como tenho uma idéia do preço, digo logo de cara quanto pretendo pagar e digo que não quero perder tempo com negociações, quando se trata de um produto comprado para consumo próprio. Se é para algum cliente ou visita, faço um pouco de teatro, o que diverte bastante o pessoal. De qualquer maneira, desisti de comprar coisas fake na China. Quando posso, compro de marca e original, de preferência em Hong Kong, onde os produtos são livres de impostos e bem mais baratos que na China Continental. Muitos artigos de marcas famosas sofrem uma taxação que chega a ser 70% a mais que no exterior. Por isso, o mercado paralelo de produtos contrabandeados, entre os chineses, principalmente os novos ricos, é um negócio cada vez mais comum.

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