Viagens

Chegada

  

     Chegar à China levou as infidaveis 32 horas de que tanto ouvira falar, quando pensar em vir a este pais era para mim apenas um sonho distante. Nao fossem as trocas de avioes em Toronto e Vancouver, teria comecado a pensar que era um passaro a voar numa gaiola. Para distrair-me um pouco, passei uma boa fatia de tempo a saborear as nuvens e a vista aerea do Canada, cujas montanhas e planicies encontravam-se cobertas pela neve. Proximo ao aeroporto de Vancouver, vi algumas madeiras boiando dentro de uma represa e lembrei-me dos desenhos do Pica-Pau, que costumava assistir quando crianca. Sentia-me tao deslumbrado com aquilo tudo que via que tive vontade de comentar minhas impressoes com a pessoa que estava sentada ao meu lado, mas ao passar os olhos pela capa do livro que lia, How To Become A CEO In 60 Lessons (Como Tornar-se Um CEO Em 60 Licoes), logo desisti e voltei ao meu mundo pueril.

     No aeroporto de Pequim, a chinesa que havia me contratado para ser interprete do clube de futebol que dirigia, me confiou a um guardinha para levar-me ao check-in, uma vez que estava atrasada para pegar um outro voo. Nao obstante, meus mal estudados nove anos de mandarim foram suficientes para entender que o guardinha chines so me levaria ao meu destino se desse-lhe uns trocados. Recusei-me a aceitar sua tarifada ajuda, e segui corajosamente o meu caminho. Sem saber ainda qual era meu destino final, consegui localizar minha passgem, apos ficar repetindo infitamente as informacoes – como disse fui um aluno indisciplinado – que minha chefe me havia passado, e dirigi-me para o portao de embarque.

    Enquanto aguardava para embarcar, comecei a olhar ao meu redor. Jovens com penteados modernos, cabelos encaracolados, encrespados, alisados com chapinhas, repicados… contrastantes com a imagem usual que temos do oriental;  notei um casal entrelacado num abraco assistindo a um filme num laptop; cansei de contar a quantidade de pessoas, celular em mao, a escrever mensagens ou a falar sem parar. No entanto, o que mais me chamou a atencao, foram duas adolescentes que jogavam baralho* a dinheiro, em pleno aeroporto. Elas divertiam-se e sentiam prazer ao tomar o dinheiro uma da outra quando ganhavam, mesmo se se tratava de uma quantia pequena.

     Ao entrar no aviao com destino a Beihai, observei que os comissarios de bordo agiam como se fossem militares. Os movimentos eram contidos e os gestos assemelhavam-se aos de quem parecia estar servindo a patria. .

    * Encontrar pessoas nas ruas ou nos lugares mais diversos, como pode ser visto em algumas fotos que tirei, a jogar baralho, majong, wuziqi, wuqi, ou seja la o que for, passou a ser tao comum que ja nao estranhava mais. Apostar parece extremamente prazeroso para o povo chines.

Admirador da cultura chinesa, tenho me esforçado para desmistificar e diminuir as distâncias entre esses dois países promissores perante o atual cenário econômico mundial: Brasil e China. Estudo mandarim desde 1997. Autodidata, acredito que não existam atalhos para o conhecimento. Não obstante, o exercício da aprendizagem, em si, e a perseverança encurtam caminhos, aumentam a concentração e tornam o percurso como o de um passeio matinal ensolarado. Além de atuar como tradutor-intérprete, sou consultor e intermedio negócios na área de importação-exportação.

3 comentários em “Chegada

  1. hi Gelson,tudo bem?Eu agora em Beijing ^_^

  2. Muito bom!!! Bela descrição!

    • Obrigado, Flavinho! Cara, faz tempo que estou para lhe comentar isso, mas você poderia criar um podcast, já que você é formado em Rádio e Jornalismo, relatando as suas viagens pelo mundo, entrevistando o pessoal que viaja com você, passageiros, etc. Pensa nisso!

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